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Os termos Ciência e Ocultismo tanto podem soar como frontalmente antagônicos para uns (para os cientistas ou para as pessoas de mentalidade conformada aos padrões científicos), como podem soar como sinônimos para outros (os adeptos de inúmeras escolas de pensamento, fora dos círculos oficiais da ciência formal). Importa-nos entender que a ciência, o ocultismo, ou qualquer outro meio de busca de conhecimento, não têm importância em si mesmos, a não ser na proporção em que permitem o acesso ao conhecimento da verdade. O que tem importância é o conhecimento em si, sua genuinidade e aplicabilidade prática, e não o método de que o ser humano se utilize para obtê-lo.

Os métodos são apenas ferramentas usadas para prospectar os segredos e leis naturais, que, quando desvendados, podem vir a se constituir em bens perenes para a humanidade, traduzindo-se em melhoria do nível de bem estar e qualidade da existência.

Existem ferramentas que, com a prática de seu uso, se mostram eficientes enquanto que outras, nem tanto. De conformidade com o campo em que formos trabalhar, podem existir ferramentas mais ou menos apropriadas à execução de determinadas tarefas. Por exemplo: um "pé de cabra" pode ser extremamente útil e eficaz, quando se trata de arrancar formas de madeira, nos elementos de concreto de um prédio em construção, mas certamente se revelaria inútil para o conserto de um computador; enquanto que um amperímetro seria um embaraçoso e inútil artefato na mão do mais hábil dos mestres de obra. Em relação a uma situação tão óbvia, parecerá pouco inteligente condenar ambas as ferramentas ao forno siderúrgico, em razão de sua ineficácia. O erro não está nas ferramentas em si, mas na inadequação de seus respectivos usos em relação a campos de atividade diferentes.

Tanto a ciência quanto o ocultismo são ferramentas ou tentativas humanas de buscar o conhecimento da realidade, do Universo e da vida, cada uma das quais podendo ser usada, a depender do campo de atividade em que se pretenda trabalhar.

Quais são então as diferenças básicas que tanto parecem distanciar, estas duas fontes ?

Etimologicamente ciência significa conhecimento. A palavra também pode se referir especificamente a um conjunto organizado de conhecimentos  relativos a um determinado objeto, obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Genericamente, ciência é o processo pelo qual o ser humano se relaciona com a natureza, apreendendo suas leis, visando dominá-la em seu próprio benefício.

O principal campo de observação da ciência de nossos dias continua sendo o mundo dos fenômenos que podem ser percebidos pelos 5 sentidos objetivos, embora reconheça existir um largo espectro de manifestações naturais em relação às quais ainda não reúne condições para investigar, por absoluta inadequação do ferramental tecnológico de que atualmente dispõe.

A grande falha de visão dos círculos mais fechados da ortodoxia científica está em não perceber ou não aceitar em tese, que possam haver outras ferramentas de investigação, além das derivadas do emprego da metodologia científica. Dessa postura rígida resulta o ceticismo ante toda e qualquer forma de apreensão do conhecimento que fujam aos seus parâmetros objetivos.

A ciência é um corpo de conhecimento em constante evolução, mas não deve ser caracterizada pelo seu conteúdo, e sim pelo método do qual se utiliza para chegar ao conhecimento : O Método Científico.

O MÉTODO CIENTÍFICO consiste na observação, experimentação e inferição de dados e na formulação de teorias que expliquem os aspectos da natureza observados. Segundo a ótica dos cientistas, sempre que se chega a determinadas conclusões e se obtém um determinado conhecimento, através do emprego da metodologia de investigação científica, isto é ciência.  Se não se emprega a metodologia científica, não é ciência.

Talvez, uma melhor compreensão do que de fato é considerado nos meios científicos como ciência possa ser tida, através da compreensão do que não é aceito como ciência: As religiões não são ciência; a psicanálise não é ciência; a parapsicologia não é ciência; a homeopatia não é ciência; a ufologia não é ciência; a numerologia não é ciência; a astrologia não é ciência. Uma porção de outras coisas importantíssimas também não são ciência. Por exemplo: A literatura não é ciência; a filosofia não é ciência; o amor não é ciência; as artes não são ciência.

Explicando de uma forma simplista, o Método Científico consiste em que, quando se tenta provar a validade de uma teoria, deve-se fazê-lo,  fornecendo os "passos" ou etapas bem definidas que, se seguidas por qualquer pessoa, deverá conduzi-la a resultados idênticos. Este processo resulta na possibilidade de se classificar e controlar os fenômenos naturais observados e de traduzi-los em linguagem matemática. Assim, nenhuma ciência apresenta verdades absolutas, mas previsões que são aceitas, enquanto não forem desmentidas pelos fatos.

Desta forma, as teorias científicas que hoje são apresentadas e plenamente aceitas pela comunidade científica, poderão no futuro, após investigações mais criteriosas, ser rejeitadas por se basearem em premissas falsas. Da mesma forma, muitas das teorias hoje tidas como "não científicas", relacionadas aos aspectos mais sutis da natureza, decorrentes do conhecimento obtido por outros meios que não a metodologia científica, poderão vir a ser chanceladas no futuro pela ciência oficial, e, em parte, isso já vem ocorrendo.

Existem alguns aspectos importantes a serem ponderados: primeiro: a ciência não é o único meio de se chegar ao conhecimento; segundo: Há determinados aspectos da natureza que a ciência ainda não reúne condições tecnológicas para investigar, restando-nos assim duas alternativas: Parar e esperar que a ciência atinja as condições e avanços necessários para investigar um largo espectro de leis naturais, acerca dos quais paira uma cortina de dúvida e obscuridade; ou, utilizar as ferramentas de investigação de que atualmente se dispõe (mesmo que se constituam em ferramentas reconhecidamente não científicas) para, de forma despreconceituosa e analítica, se estudar todas essas coisas, e usufruir dos benefícios que possam virtualmente proporcionar.

Se alguém  lhe diz que o chá de determinada erva é "bom para pressão alta" e você lhe pergunta: Como é que você soube disso ? E ele lhe responde que sua mãe falava muito nisso e que havia aprendido com o pai dela, que por sua vez aprendeu com o avô... A isso se chama "'conhecimento popular ou tradicional"'. Pode ser de fato que aquele chá seja muito bom para baixar a pressão alta , mas esse conhecimento não é considerado um conhecimento científico, pois não foi obtido pela utilização do método científico.

Portanto, os chamados conhecimento popular ou conhecimento tradicional não são ciência. Entretanto, esses conhecimentos podem estar corretos, podem ser verdadeiros e serem muito bons. Em contrapartida, muitas das coisas que os cientistas afirmam como se fossem verdade, é ciência, mas no entanto, podem estar erradas.

Em suma, determinados conhecimentos podem ser científicos e estarem errados em seu conteúdo, enquanto outros, podem não ser científicos e estarem corretos. Ser científico não é segurança da verdade, como não ser científico não é segurança de que não esteja certo.

O que é ocultismo ?

Ocultismo é uma palavra que representa genericamente o estudo ou o conhecimento de Leis Naturais que se encontram geralmente fora do campo de percepção dos sentidos físicos ordinários. É o conhecimento que versa sobre fatos que não podem ser explicados pelas leis da natureza já conhecidas através dos meios científicos de que atualmente se dispõe.

O ocultismo ocupa-se do estudo não apenas dos fenômenos físicos cujas origens são desconhecidas, mas também das dimensões extrafísicas da Natureza e que, como tais, escapam à observação de nossos sentidos comuns.

Entretanto, o que pode ser oculto para uma pessoa, pode ser perfeitamente claro e compreensível para outra. Quanto mais se desenvolve a espiritualidade, a inteligência e a maturidade da consciência no ser humano, mais ele se liberta da atração que os sentidos físicos causam, passando a desenvolver outras potencialidades que direcionam sua atenção e percepções aos aspectos mais sutis da natureza.

Assim, quanto mais evoluído se torna o indivíduo nesse sentido, mais se acrescenta e se amplia o seu poder e acuidade de percepção, de forma natural, e cada vez menos oculto vai se lhe tornando o proceder da Natureza.

Esse aumento da acuidade e percepção resulta do desenvolvimento de capacidades latentes em todos os indivíduos, relativas à atuação de outros espectros de sentidos, derivados das partes mais sutis que constituem o ser humano:  os vários outros "veículos de manifestação da consciência".

Essa visão mais ampla da realidade parece se constituir num CONHECIMENTO TRADICIONAL, que acompanha a humanidade desde longas eras. A história mostra partes desses conhecimento surgindo de tempos em tempos, através das idades, em diferentes povos, diferentes culturas, com diferentes aspectos enfatizados, porém, em essência, os fundamentos permanecem imutáveis através dos séculos. Às vezes foi ensinado abertamente, como na Grécia antiga, em outras ocasiões foi transmitido secretamente aos poucos que o buscavam.

Hoje em dia este conhecimento recebe várias denominações, tais como Ocultismo, Sabedoria Antiga, Filosofia Oculta, Tradição Esotérica, Teosofia. É chamado “oculto” porque trata de aspectos da Natureza que não são percebidos pelos sentidos ordinários e, portanto, não estão acessíveis à grande maioria dos indivíduos, cujas existências se baseiam quase exclusivamente nesses sentidos e na escala de valores deles decorrente.

O Ocultismo objetiva o conhecimento da realidade multidimensional da existência humana e dos princípios metafísicos que sustentam o Universo.

Vejamos alguns exemplos concretos de fenômenos que ilustram bem as capacidades especiais desenvolvidas por alguns indivíduos, que são enquadrados na categoria de "paranormais" e que como tal, seriam, juntamente com outros aspectos igualmente importantes, objeto de estudo dessa linha de conhecimento: Pessoas que identificam, sem instrumentos físicos água no deserto; prevêem terremotos e outras catástrofes; localizam pessoas desaparecidas através de mero contato com algum objeto que esteve em contato com o indivíduo; movimentam objetos à distância; lêem os pensamentos de outros; são capazes de ter acesso a fatos e circunstâncias que ocorrem longe do seu corpo físico, sem meios concretos ou objetivos para percebê-las; passam pela experiência da quase-morte.

Qualquer desses fenômenos poderia ser estudado e passar a ter uma explicação científica se fosse possível serem seguidos os passos gerais que caracterizam o MÉTODO CIENTÍFICO, ou seja, se pudessem ser estabelecidos certas etapas consecutivas de um processo de experimentação as quais, quando observadas por qualquer pessoa, pudessem conduzir aos mesmos resultados. Só que isso não acontece.  E porque não acontece ?

As razões mais prováveis são:

1) As teorias ou hipóteses geralmente aventadas ainda apresentam certas falhas lógicas ou estruturais, ou seja, ainda não explicam tudo; ou estão equivocadas (como muitas teorias científicas também o estão) ou incompletas;

2) Entram em cena muitas variáveis que dificultam ou impedem essa possibilidade, quer pela diversidade e quantidade em que aparecem, quer pela ordem de grandeza extremamente sutil das forças e energias envolvidas.

3) Absoluta falta de meios de investigação objetiva confiáveis.

4) Ainda não houve suficiente motivação das instâncias tradicionais da ciência oficial para investigar a fundo esses fenômenos, verificando, por exemplo, a confluência de informações de indivíduos sensitivos, a ocorrência objetiva de muitos fenômenos, a possibilidade de repetição laboratorial.

Seria assim necessário, para uma comprovação testemunhal que quem quer que investigasse possuísse o mesmo grau de paranormalidade que o indivíduo produtor do fenômeno, o que se verifica ser na prática muito difícil.

Um fato, entretanto, que não se pode esquecer é que, dia após dia novas mentes de formação estritamente científica, se deparam com situações que os fazem rever drasticamente seus paradigmas, convicções, e forma de pensar e encarar a realidade.

Faz-se necessário a mudança de paradigma para o estudo de aspectos sutis da natureza humana, da mesma forma que houve a necessidade da mudança do paradigma da Física Clássica quando se insurgiu a Teoria da Relatividade de Einstein e a Física  Quântica.

Longe de serem excludentes entre si, Ciência e Ocultismo, cada um à sua maneira, e sob sua ótica, desenvolvem campos de percepção e conhecimento, abrindo ao ser humano a oportunidade de se conhecer melhor e ocupar seu lugar no esquema cósmico de evolução. São certamente, caminhos paralelos para a verdade.